pesquisa



Bancos de dados em arquitetura e urbanismo

Coordenador
Rodrigo Cury Paraizo

Integrantes
Maria Cristina Nascentes Cabral

INTRODUÇÃO
Os bancos de dados são uma das formas de organização da informação, ou dispositivos informacionais, de acordo com a definição de Lévy (1999). A disseminação do uso dos computadores e da computação em rede ampliou a capacidade de manipulação desse dispositivo informacional de tal modo que se torna fácil compreender porque podem ser considerados como uma forma expressiva – segundo Manovich (2001), uma das formas chave das mídias digitais, ao lado dos espaços navegáveis. Dão subsídio a diversos campos do conhecimento, mas sua apropriação pela arquitetura e pelo urbanismo segue, na maior parte do tempo, restrita aos aspectos mais objetivos e definidos, como os mapas produzidos por sistemas de informações geográficas e os modelos de informações de edificações (uma das possíveis traduções para BIM, building information model, que, na verdade, são bancos de dados tridimensionais das edificações).
A Web 2.0, as redes sociais e lojas online demonstram o potencial de aplicação dos bancos de dados para a compreensão do comportamento e dos gostos humanos, recolhendo um vasto volume de informações sobre o gosto dos usuários e aplicando sobre ele sofisticados algoritmos capazes de sugerir novas escolhas com eficiência. Estas técnicas apontam para possíveis caminhos para o aprofundamento da compreensão do pensamento humano, o que sem dúvida inclui as apreciações sobre a arquitetura e a cidade.
No entanto, a estruturação dos bancos de dados permanece atrelada a esquemas por demais objetivos e rígidos, com pouca margem para absorver as elaborações em progresso de um ambiente de pesquisa acadêmica, bem como a flexibilidade para sua reapropriação em diversas instâncias.
Em projetos de bancos de dados fotográficos sobre arquitetura, percebemos a limitação das soluções comerciais para acomodar as categorias teóricas e mesmo práticas da disciplina em concomitância com os aspectos técnicos das imagens. Na tese de doutorado (Paraizo, 2009), registramos como as coleções de objetos patrimoniais apresentam a dificuldade de formalizar os próprios valores de patrimônio que permitiriam a comparação e o agrupamento desses objetos. E, em que pese o extenso uso de Sistemas de Informações Geográficas para o estudo urbanístico, faz-se necessário desenvolver variações que contemplem aspectos mais subjetivos, enfrentando o desafio de propor quantificações desses elementos.

Essas observações, longe de invalidar bancos de dados existentes, apenas atestam pontos cegos que ainda não foram contemplados pelas técnicas atuais. Por outro lado, os processos de representação são essenciais à cognição, de modo que promover a reinterpretação das informações disponíveis, lançando mão de diferentes modos de organização, constitui em si um potencial avanço no próprio conhecimento.
Este projeto investiga formas diversificadas de registro de aspectos culturais da arquitetura e do urbanismo, contribuindo para uma melhor compreensão simbólica a partir de novas maneiras de representação do conhecimento. Como forma de objetivar a pesquisa, nos anos de 2012 e 2013, o que se pretende é explorar essas classificações tendo como base uma coleção de objetos arquitetônicos relevantes sobre a cidade do Rio de Janeiro, ou seja, as obras produzidas por arquitetos estrangeiros no século XX.